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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Evolução e Ilusão

A verdade é que temos que acreditar na evolução. A sério, é no que temos que acreditar. Temos que parar de acreditar em objectos brilhantes, papel verde, e personagens glorificadas inexistentes como o poder. Objectos, papel, e personagens glorificadas inexistentes, não é estúpido? O que nos controla ou é fictício ou é inútil para o ser humano. Eu não como papel, muito menos pedras, e tenho certeza que o poder não me torna de imediato uma melhoria no Mundo. No entanto todos nos dizem que precisamos de dinheiro, que com a riqueza é que somos felizes, e com poder és o rei do Mundo! Podes dizer "Mas você sabe quem é que eu sou?!" e passar nas filas dos restaurantes e dos supermercados com esta pergunta tão humilde e inocente. Somos isto, sim isto, não somos ela, ele, elas, eles, tu ou eu, somos isto, porque deixámos as nossas melhores características como seres racionais desaparecerem de geração em geração com a ajuda de um capitalismo desenfreado, esquecemos-nos que precisamos do outro para aprender e crescer, precisamos da união e da compaixão, não precisamos "disto", e por mais que a culpa seja das grandes corporações e das grandes potências mundiais, a verdade é que o mal começa em baixo, quando alguém entra num trabalho, inocente e à procura de um rumo para a sua vida, e encontra sacanas como colegas de trabalho, que ao invés de proporcionarem um bom ambiente e ajudarem como um bom ser humano fazer-ia, destroem todos os degraus que vão deixando para trás e ainda dizem que foste tu. Quando alguém grita contigo no balcão porque os preços estão demasiado altos. Quando alguém se mostra superior porque és tu que estás a trabalhar. Temos memória curta. O estagiário não tem culpa de estares à 10 anos no mesmo posto, com um ordenado medíocre. Quem está atrás do balcão não tem culpa dos preços, provavelmente tem a mesma opinião e está farto de ser explorado. E tu, já tiveste ali, no início, com um ordenado que não dá para sair da casa dos pais, e detestavas, mas estás agora a fazer o mesmo. Reclama com quem está agora numa ilha paradisíaca a aproveitar os aumentos que não te deu. Reclama com quem aproveita os lucros daqueles preços tão altos. Reclama de ti, por espalhares o ódio a quem sofre tanto como tu, ou ainda mais. Está tudo a correr para o lado errado, onde a compaixão escasseia, o que está lá é o dinheiro, o sucesso, e uma casa demasiado grande para apenas uma pessoa, onde a loucura é certa na velhice. Esquece isso tudo. Tu não precisas "disto". E reclama a evolução que nos fingem dar.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Patinho feio

Este texto não é suposto ser bonito, é suposto mostrar uma realidade feia, e é impossível mostrar o feio com o bonito, ou então é apenas mais fácil mostrar o feio no seu mais puro estado, sem floreados, sem toques nem retoques. O feio é tão disforme e disperso que pertence a todos, e se não tens o feio em ti, alguém há de te o atribuir, ninguém é perfeito já dizia a minha mãe, e se por acaso alguém for, esse será o seu defeito, o humano não consegue lidar com o perfeito, o pior do humano aparece quando se apercebe do perfeito e se dá conta que está longe dessa tão querida qualidade. É sobre um lado feio do humano que eu quero escrever, o facto de a nossa essência maligna estar presente em todos os cantos do mundo, em todos os países, todas as cidades, e por todos os caminhos em diante, todos os dias os nossos olhos vêm pobreza ou escravidão, seja directamente ou indirectamente, o mais macabro é que nós ajudamos a esta pobre situação, eu não me excluo, infelizmente sei que mesmo não querendo já contribui fechando os olhos, somos estúpidos e egoístas, pelo simples facto de termos querido aquela t-shirt nova, porque a que estava na gaveta que comprámos o ano passado já estava fora de prazo e usar uma t-shirt duas vezes numa festa diferente podia dar má imagem, manchar a nossa reputação. Reputação limpa, mãos manchadas de sangue, aproveitar festas nos melhores trajes enquanto no outro lado do mundo escravizamos pelos nossos caprichos e tornamos países em grandes contentores de lixo, e não compensa por aqueles ténis novos de cento e tanto euros que custou apenas cerca de cinco euros a fabricar por uma criança de doze anos? Nós compramos e compramos, e a única coisa que enche é o nosso armário, as carteiras e os corações estão vazios, sempre a contar os tostões e a gritar com o coitado que estiver mais a jeito, e é assim, sem sequer nos apercebermos, cegos por luxos que nos tapam as emoções, que cometemos as maiores atrocidades, repetindo a história mais uma vez numa localidade diferente, entregamos a nossa liberdade e alegria de mão beijada a quem nos quer mal com um sorriso momentâneo proporcionado pela nova compra. É óbvio do que estou a falar, a verdade é que não gostamos do feio, ele é custoso de se ver. Fechemos os olhos mais uma vez, é mais fácil dizem eles.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Perseguição quadrada

Uma esfera encurralada por quadrados, a fuga que parece impossível, cada curva parece mais apertada, agora quase que cai a contorná-las, a cada vislumbre da próxima, o coração quase que pára, o receio, receio do despistamento, do acidente inevitável, com o passar das horas, dias, mais o inevitável sussurra ao seu ouvido, ele não sussurra, ele grita, grita até provocar surdez e cegueira. Quadrados a encurralarem esferas, parece heresia, parece fantasia , mas é a mais pura das tristezas e das alegrias. Outra curva acerca-se, a coordenação motora atrofia, a queda parece evidente, os olhos estão cansados e os ouvidos moídos das ciladas da travessia, a esfera desiste, cega e surda, de uma fuga interminável, dominada por quadrados, com uma táctica que não falha, eles estão preparados. Outra curva avizinha-se. A esfera desaparece nesta curva sozinha. Nunca a apanharam, mas a fuga foi terminada.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Armadilhas para ursos

Somos a geração da desgraça, somos a geração sem futuro, o nosso único objectivo é beber umas cervejas à sexta-feira! Há algo melhor para fazer a uma sexta-feira nesta paródia? Somos aqueles que fogem do futuro, somos aqueles que gostam do presente. Admiro-me com a ignorância de uma boa parcela desta geração e talvez de mais algumas, que se iludem com tudo o que veem e que raramente leem, não aprendem, iludidos pela igreja, iludidos por jornais, iludidos pela televisão, iludidos por sites e páginas duvidosas na internet, o entretenimento de eleição é a imprensa cor de rosa! Que deleito para os governadores! Os anos aumentam e a única coisa que muda é o número das ilusões,  o conhecimento é deitado fora, e armadilhas destinadas para ursos são renovadas, e nem chegamos a acampar, elas estão prontas para nós nos nossos próprios sofás, talvez até sejam perfeitas para esta captura. Sou da geração dos perdidos, sou da geração de que todos se queixam, perdidos que se encontram entre sextas e sábados, e reconhecem a ilusão em que vivem, são a parcela contrária aqueles que se deixam iludir, não encontramos futuro aqui, as armadilhas perseguem-nos quando não caímos nelas, esperando que tropecemos nestas ilusões ditas todos os dias em visores, visores que nos pretendem dar ignorância e tirar-nos o nosso lado crítico, longe de quererem ouvir o que temos para dizer, eles não nos querem ouvir, eles são bons actores, e representam bem a sua preocupação entre telas e cortinas, mas o que eles realmente querem é o nosso silêncio e conformidade, ninguém gosta de quem reclama! Ainda mais quando o que reclamam lhes incomoda, isto, claro, iria provocar descontentamento para o país, país de paródia, ovelha do resto do rebanho, o que seria desta ovelha sem uma boa quantia de indivíduos com baba ao canto da boca a obedecer ?! Era tirar-lhe o pasto! E como eles detestam ervas daninhas! Irresponsáveis, sem preocupações, a ocupar espaço daqueles que queriam e não têm! Um guardanapo, para limpar o queixo, talvez seja necessária uma esfregona e um aviso de piso escorregadio.

domingo, 6 de março de 2016

Alice viciosa

Vida de vícios. "Vou fumar o meu cigarrinho das 14h!", "Vou beber a minha cerveja das 22h!", linhas constantes que soam aos nossos ouvidos, corrompidos por uma sociedade suja, somos confrontados com uma série de vícios que nos tiram da realidade e nos tornam numa Alice, entre tantas outras, e nos abrem as portas para o País das Maravilhas, tal como outros, ou outras, também já estou manchada, não sou imune à sujidade que nos rodeia, corro em busca do buraco para o outro mundo, tantos corações imundos acompanhados de caras limpas, preparados desde do primeiro instante para passar pela Baixa-Chiado naquele submundo, mecanizados para a ignorância, é apenas concedido o suficiente, porque a tristeza e as verdades incomodam as "gentes", as "gentes" que estão demasiado ocupadas para ouvir os gritos mais profundos, a rotina é a mais aconselhada! "Não digas não, o Zé queria e não teve, és um sortudo!"dizem eles, uma produção de medo constante construído desde de tempos infinitos através de senhores com altos cargos em mosteiros distantes, levados ao moderno pelos senhores tão queridos da mãe natureza, aquela que grita e ninguém a ouve, os seus protestos são abafados por vozes de cobras e lobos que nos mastigam até à nossa senilidade, ignorando os gemidos entre os mortíferos dentes. Numa sociedade corrupta onde o mais honroso é aquele que obedece ao injusto, onde todos padecem interiormente, o melhor é não deixar a minha cerveja morrer e tentar ser contente. Um brinde às Alices. 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Maria Ninguém

Desde das dez da manhã que não bebo água, cheia de água à minha volta, percorro o labirinto fechado para ratazanas mais uma vez, desço as escadas para o esgoto sobrepovoado e infeccioso, cheio de ratos e ratões, que gritam "sins" e "senões", e sigo a minha viagem, caminhada, rotina até à minha sentença, enjaulam-me e testam-me varias vezes até terem certeza que estou programada, que estou apta a ser algo, deixar de ser ratazana, evoluir para ovelha, quem sabe? Pronta para o rebanho, sair do labirinto para o pasto, ou então até terem certeza que sou um erro na produção, não sou uma ratazana, nem ovelha, não sou nada, não sou ninguém, acho que estou a desidratar, preciso de água.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Eleições e postas de bacalhau

Eleições de 24.01.2016. Mais uma vergonha de eleições com uma abstenção de mais de 50%, é vergonhoso não usufruirmos do direito que nos foi concedido através de tanta luta por parte das gerações passadas portuguesas, os velhinhos que tanto saltaram de euforia a 25 de Abril de 1974, agora sentam o cu num café a jogar às cartas e reclamam que o país já não tem emenda, e assim começam mais uma ronda de sueca, as velhinhas petrificadas perante a televisão assistem a mais um programa da tarde e gastam o seu último tostão a fazer chamadas para ver se é desta que ganham o tão querido prémio desta "Boa tarde", e enriquecem mais um pouco os macaquinhos lá em cima, com tantos afazeres não têm tempo de dar um saltinho até às urnas e ainda chamam de rídiculos quem o faz, que é uma perda de tempo!
O pior ainda são as gerações recentes que perpetuam este vício dos mais velhos, o que eles de melhor sabem fazer, é reclamar, dizem que o trabalho é muito, que são explorados, e que já têm os bolsos rotos de tanto roubo, mas no dia de eleições preferem ficar em casa a ver a Quinta das celebridades, ou então a fazer comentários revoltados contra o Jorge Jesus no facebook, e ainda dão a desculpa que a noite de sábado foi até às tantas a beber "jolas" e estão com dores de cabeça para sair de casa e se preocuparem com mais umas eleições de tantas que implicam obrigatoriamente o futuro do país. Se Salazar imaginasse que em plenas eleições democráticas, onde todos podem votar livremente, houvesse uma abstenção tão grande, nem se dava ao trabalho de eliminar a oposição, mandava umas "postas de bacalhau" em tempo de campanha eleitoral na televisão e os portugueses ainda o chamavam de herói, é uma vergonha como Portugal tapa os olhos com as próprias mãos e desiste do espírito lutador que nos foi deixado pela revolução dos cravos.
Palmas para aqueles que votaram, e tentaram melhorar o futuro do país.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Bomba relógio

Eu acho que estou avariada, uma máquina do sistema que extraviou pelo caminho, perdida nas regras, nas exigências, nas expectativas, já não aguento as perguntas "Já decidiste o que vais fazer para o resto da tua vida?", "Não? Tic-Toc, olha o relógio", "Temos aqui uma doutora! Que orgulho!". Tenho 20 anos, a idade limite para decidir o meu sucesso, o que quero ser, sem saber se quer  responder à pergunta"Quem és tu?", tenho uma bomba relógio na cintura, onde os fios percorrem cada milímetro do meu corpo e me ameaçam a cada segundo que envelheço de uma possível explosão. 20, duas décadas, avariada, a tentar fugir de uma rotina que acho estupida, eu não quero acordar todos os dias às 6 horas da madrugada com sentimentos de angústia e arrependimento por não ter escolhido o outro caminho, que desconheço, vestir a roupa que me é exigida por um trabalho enfadonho, que me deixa infeliz e me faz gritar com o rapaz que está a vender roupa naquela loja que faz milhões todos os anos, tudo isto por virei na rua errada quando tinha 20 anos. Eu não quero ser a bomba relógio, não quero fazer corridas contra o tempo, onde o destino já decidiu o vencedor, e para ser sincera não vejo nenhum pódio ao longe, e assim pergunto-me por quanto tempo mais posso eu fugir ao inevitável? Quanto tempo até enlouquecer com este som que me avaria mais a cada dia que passa? Não fui preparada para fazer uma decisão destas, sinceramente, não sei se alguém foi, ao longo da nossa vida aprendemos várias coisas, umas mais uteis que outras, secalhar perdi esta parte da matéria, bom, secalhar o melhor mesmo, é ir aprender a desarmar bombas.




sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Infância inocente






Quando dou por mim estou a criticar a sociedade em que vivo, a construir debates dentro da minha cabeça com homens de poder, que confesso, desprezo um bocado. Já não tenho a visão inocente da menina de seis anos, em que não via mal nenhum em um ovo kinder ser dois euros e meio, e uma bicicleta com rodinhas cento e tantos euros, que chorava e explicava elaboradamente como era importante ter estes bens materiais e dizia que todos os seus amigos já os tinham! Não compreendia a tristeza que os seus pais sentiam, que com o seu salário medíocre, não conseguiam dar-lhe estes bens indispensáveis para ela na altura, por serem explorados por uma sociedade suja e corrupta pelo poder e dinheiro. Ainda me lembro quando ficava contentíssima pela chegada da quadra natalícia, onde me colava à televisão a ver todos os anúncios de brinquedos velhos e novos, iludida por contos de fadas criados pelo dinheiro, que me cegavam e não me deixavam entender os verdadeiros valores do Natal, com as ilusões daquela caixa mágica que enganava aquela minha inocente infância, onde tudo o que importava era ter o maior número possível de brinquedos, porque aquela criança de seis anos era inocente, ela não percebia a tristeza, nem os esforços dos seus pais, que nunca parecia suficiente pelo que a televisão dizia. Maldita televisão, só dizes asneiras. Já não quero o ovo kinder.


Imagem: Luis Quiles

sábado, 14 de novembro de 2015

O Metro.


Encafuados dentro do metro que nem formigas, formigas que seguem a mesma travessia em nome da rotina diária, mas sem saber bem a sua funcionalidade, vejo caras diferentes mas com as mesmas expressões de sempre, expressões depressivas e zangadas com a vida, em que na altura de ponta gritam e reivindicam o seu direito de também caber no metro, apesar de já estar tudo de cara encostada à janela e a cheirar sovacos de estranhos, empurrões e brigas por um espaço neste transporte tão querido para ir para a sua morte, gordos e gordas roubam o lugar por já nem aguentarem um minuto em pé com tantos menus do McDonald's que engoliram, deixando velhinhos em pé que já nem aguentam com as próprias pernas e se queixam de dores nas costas. Uma vida humana que não se compreende, lutam todos os dias por o que nunca quiseram lutar, gritos por todos os lados, na direcção errada, revoltas mesquinhas por cinco minutos sentados. O metro. Tem muito que se diga.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Monólogo duplo


Perguntas-me: "o que se passa contigo?" e eu, estou estranha, respondo, nunca fomos normais, sempre fomos anormais, verdade seja dita, alguém gosta de ser normal? Qual é a piada? Já que estamos cá, tentamos vencer com estranheza e alegria, ser diferente, ser o laranja no preto, não gosto do normal, não gosto! não gosto! e não gosto! repito, recuso-me à normalidade, recuso-me a esta pressão mundana que me impões, pensas que sigo as tuas regras, mas será mesmo que as sigo? Regras e regras, tantas e tantas, umas entre outras, confundidas que não me interessam, desapareçam suas filhas da mãe! ninguém vos quer! desapareçam! vou viver sem vocês, fugir para o jardim dentro da minha cabeça onde não podem chegar, sem avisar, desapareço, sem me despedir de vocês, para ver quanto vos desprezo, Adeus, adeus! Nem explicações merecem, só um adeus e já é exagerado!
"Blasfémia!- ouve-se de longe, são as regras!- "Tu sabes que precisas de nós, que era de ti? não eras ninguém! eras outro marginal sem margem à beira de cair no abismo profundo"
que cliché, que cliché! -digo eu- Abismo isto! Abismo aquilo! Achas que quero saber desse tal abismo?! eu sou a fluorescência no escuro, logo ele não me atraí, ele não me quer! Já disse para irem, não olhem para trás mais, nem uma vez, vocês são loucas em tentar se quer me mudar!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Quem somos?

Sento-me sozinha, a ouvir a música, aquela música que é intemporal, com o poder de tocar em qualquer coração, olho em volta, está tudo vazio, em mim há um vazio que se vai preenchendo por uma confusão de pensamentos que se tornam inúteis, tenho tudo e ao mesmo tempo nada, sou grata pela amizade e o amor que recebo daqueles que são os meus chamados amigos e além, o problema sou eu, talvez, EU não sei quem sou, nem o que faço aqui, nem para onde vou, ando sem rumo ali e além, sem motivo nem motivação, a minha vida é controlada por presidentes corruptos, que me roubam a juventude, as regras são tantas que me sufocam, já nem sei que direcção escolher, tenho questões inúmeras que me tiram horas por procurar responde-las, muitas vezes sem sucesso. Imagina se eu um dia decidir que não quero ser uma advogada ou uma médica? e escolher andar à deriva pelo Mundo, em busca da beleza deste e da minha paz de espirito? Vão-me julgar? Porque não querer ser convencional e querer esquecer as regras de uma sociedade dominada pelo dinheiro e o poder? Claro, é isso que esta sociedade faz, talvez se conseguir algum feito, vão-me chamar de heroína, aquela que foi corajosa o suficiente para "enfrentar o touro pelos cornos",talvez até me dêem uma alcunha como "a destemida", até lá vão me chamar de ignorante, a parva, aquela que "fugiu às suas responsabilidades", é isto que a sociedade é, interesseira. Esta sociedade preconceituosa nunca me ia chamar corajosa por ter sido diferente, por ter esquecido as regras feitas pelo dinheiro, por ter tentado, ía-me chamar burra e estupida, ía-me me apontar o dedo e julgar-me, por esta razão, por esta sociedade de mente fechada e antiquada, ando assim, sem leste, a percorrer vielas e avenidas, entre ventos e chuvas, à procura de uma resposta, talvez à procura da coragem, à procura da vida. Tento perceber o mundo, cheio de politicas e principios, de preconceitos, de riqueza, de pessoas boas e pessoas más, de opiniões diferentes, dividido por continentes, países, cidades, cheio de rivalidade, oiço ele a pedir socorro, com medo, a tremer, eu receio com ele, receio o futuro, receio o desconhecido e até a minha própria espécie, ridiculo? Talvez.
O sentido da vida, um dos quebra-cabeças mas difíceis, secalhar para todos, que pode persistir ao longo de toda a nossa vida, mas secalhar o descubra amanha ou daqui a dois anos, quem sabe? Até é possível que vivesse mesmo ao meu lado, ou então também há a possibilidade de não chegar sequer a encontrá-lo neste Mundo. Dúvidas infindáveis.

                                     Quem somos?